Governo de Rondônia
28/02/2024

Controle da Doença de Chagas

Governo do Estado de Rondônia

Doença de Chagas

A doença de Chagas (ou Tripanossomíase americana) é a infecção causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Apresenta uma fase aguda (doença de Chagas aguda – DCA) que pode ser sintomática ou não, e uma fase crônica, que pode se manifestar nas formas indeterminada (assintomática), cardíaca, digestiva ou cardiodigestiva.

 

Vigilância e Controle da Doença de Chagas

Situação Epidemiológica Estadual

Em Rondônia de 2018 a 2022, foram notificados e investigados 279 casos suspeitos em humanos de doença de Chagas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN, destes, cinco (05) foram confirmados, sendo um (01) Ji Paraná um (01) Machadinho D’Oeste, dois (02) em Porto Velho e um (01) Cujubim.

Os municípios que mais investigaram casos foi Ji Paraná (24,01%) da I Regional de Saúde, seguido por Monte Negro (16,13%), Machadinho D’Oeste (9,32%) IV Regional de Saúde e Porto Velho (8,96%) VI Regional de Saúde. Em 2022 todos os 37 casos foram descartados para DCA.

O diagnóstico, na fase aguda, a identificação Trypanosoma sp. Em lâminas de gota espessa é um método simples, de baixo custo, execução rápida e de elevada sensibilidade e especificidade, sendo uma importante medida para o diagnóstico, entre os anos de 2018 a 2022, foram confirmados três (03) casos por esse método (1,08%).

Outra ação importante é a Vigilância eco epidemiológica dos triatomíneos. Dos municípios de Rondônia entre estes Buritis, Cacoal, Candeias do Jamari, Campo Novo, Guajará-Mirim, Jaru, Monte Negro, Nova União, Pimenta Bueno, Porto Velho, Rolim de Moura e Theobroma (23,08%), enviaram um total de 115 exemplares para análise taxonômica e teste de infectividade, sendo encontrados 78 (67,83%) triatomíneos infectados no ano de 2022.

Até 2020, apenas a fase aguda do agravo passava pela notificação compulsória. Em maio de 2020, foi publicada a Portaria nº 1.061. O documento incluiu a DCC na Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública nos serviços de saúde públicos e privados em todo o território nacional.

 

Os documentos oficiais para notificação já estão disponíveis no site do MS:

Situação Epidemiológica nacional (link) https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/doenca-de-chagas/situacao-epidemiologica

Publicações sobre Doença de Chagas (link) https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/publicacoes-svs/doenca-de-chagas

 

SINTOMAS

A doença de Chagas pode apresentar sintomas distintos nas duas fases que se apresenta, que são a aguda e a crônica.

Na fase aguda, os principais sintomas são:

  • febre prolongada (mais de 7 dias);
  • dor de cabeça;
  • fraqueza intensa;
  • inchaço no rosto e pernas.

No caso de picada do barbeiro, pode aparecer uma lesão semelhante a um furúnculo no local.

Após a fase aguda, caso a pessoa não receba tratamento oportuno, ela pode desenvolver a fase crônica da doença, inicialmente sem sintomas (forma indeterminada), podendo, com o passar dos anos, apresentar complicações como:

  • problemas cardíacos, como insuficiência cardíaca;
  • problemas digestivos, como megacólon e megaesôfago.

 

FORMAS DE TRANSMISSÃO

As principais formas de transmissão da doença de Chagas são:

Vetorial: contato com fezes de triatomíneos* infectados após o repasto/alimentação sanguínea. A ingestão de sangue no momento do repasto sanguíneo estimula a defecação e, dessa forma, o contato com as fezes.

Oral: ingestão de alimentos contaminados com parasitos provenientes de triatomíneos infectados ou suas excretas.

Vertical: ocorre pela passagem de parasitos de mulheres infectadas por T. cruzi para seus bebês durante a gravidez ou o parto.

Transfusão de sangue ou transplante de órgãos de doadores infectados a receptores sadios.

Acidental: pelo contato da pele ferida ou de mucosas com material contaminado durante manipulação em laboratório ou na manipulação de caça.

O período de incubação da doença de Chagas, ou seja, o tempo que os sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é dividido da seguinte forma:

Transmissão vetorial – de 4 a 15 dias.

Transmissão transfusional/transplante – de 30 a 40 dias ou mais.

Transmissão oral – de 3 a 22 dias.

Transmissão acidental – até, aproximadamente, 20 dias.

Transmissão vertical – tempo indeterminado, a transmissão pode ocorrer em qualquer período da gestação ou durante o parto.

Triatomíneos – são insetos popularmente conhecidos como barbeiro, chupão, procotó ou bicudo. O seu ciclo de vida é composto pelos estágios de ovo, ninfa (cinco estádios ninfais) e adulto. Tanto as ninfas como os adultos, de ambos os sexos, alimentam-se de sangue e, portanto, se infectados, podem transmitir o T. cruzi

 

DIAGNÓSTICO
Na fase aguda da doença de Chagas, o diagnóstico se baseia na presença de sinais e sintomas sugestivos da doença e na presença de fatores epidemiológicos compatíveis, como a ocorrência de surtos.

Já na fase crônica, a suspeita diagnóstica também é baseada nos achados clínicos e na história epidemiológica, porém como parte dos casos não apresenta sintomas, devem ser considerados os seguintes contextos de risco e vulnerabilidade:

Ter residido, ou residir, em área com relato de presença de vetor transmissor (barbeiro) da doença de Chagas ou ainda com reservatórios animais (silvestres ou domésticos) com registro de infecção por T. cruzi;

Ter residido ou residir em habitação onde possa ter ocorrido o convívio com vetor transmissor (principalmente casas de estuque, taipa, sapê, pau-a-pique, madeira, entre outros modos de construção que permitam a colonização por triatomíneos);

Residir ou ser procedente de área com registro de transmissão ativa de T. cruzi ou com histórico epidemiológico sugestivo da ocorrência da transmissão da doença no passado;

Ter realizado transfusão de sangue ou hemocomponentes antes de 1992;

Ter familiares ou pessoas do convívio habitual ou rede social que tenham diagnóstico de doença de Chagas, em especial mãe e irmão (s).

Atenção especial deve ser dada a gestantes com os fatores de risco acima, devendo ser realizado o exame para doença de Chagas durante o pré-natal.

Importante: Para confirmação laboratorial é necessária a realização de exame de sangue (parasitológico e/ou sorológico, a depender da fase da doença) que é realizado gratuitamente pelo SUS. É importante que você procure um médico para que ele possa solicitar os exames e interpretá-los adequadamente, além de avaliar caso a caso os sintomas e sinais clínicos de cada pessoa.

Acesse a ferramenta que serve como guia especialmente para fins epidemiológicos nas situações mais recorrentes e para apoio assistencial enquanto o apoio de equipe especializada não for conseguido.

 

TRATAMENTO

O tratamento da doença de Chagas deve ser indicado por um médico, após a confirmação da doença. O remédio, chamado benznidazol, é fornecido gratuitamente pelo Ministério da Saúde, mediante solicitação das Secretarias Estaduais de Saúde e deve ser utilizado em pessoas que tenham a doença aguda assim que ela for diagnosticada.

Para as pessoas na fase crônica, a indicação desse medicamento depende da forma clínica e deve ser avaliada caso a caso. Em casos de intolerância ou que não respondam ao tratamento com benznidazol, o Ministério da Saúde disponibiliza o nifurtimox como alternativa de tratamento, conforme indicações estabelecidas em Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas.

Independentemente da indicação do tratamento com benznidazol ou nifurtimox, as pessoas na forma cardíaca e/ou digestiva devem ser acompanhadas e receberem o tratamento adequado para as complicações existentes. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da doença de Chagas estabelece, com base em evidências, as diretrizes para diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pessoas afetadas pela infecção por Trypanosoma cruzi em suas diferentes fases (aguda e crônica) e formas clínicas, além de situações especiais como gestantes e condições de imunossupressão, servindo de subsídio a gestores, profissionais e usuários do SUS, visando garantir a assistência terapêutica integral.

 

PREVENÇÃO

A prevenção da doença de Chagas está intimamente relacionada à forma de transmissão e uma das formas de controle é evitar que o inseto “barbeiro” forme colônias dentro das residências, por meio da utilização de inseticidas residuais por equipe técnica habilitada.

Em áreas onde os insetos possam entrar nas casas voando pelas aberturas ou frestas, podem-se usar mosquiteiros ou telas metálicas. Também recomenda-se usar medidas de proteção individual (repelentes, roupas de mangas longas, etc.) durante a realização de atividades noturnas (caçadas, pesca ou pernoite) em áreas de mata.

 

TRIATOMÍNEOS NO DOMICÍLIO

Quando o morador encontrar triatomíneos no domicílio:

  • Não esmagar, apertar, bater ou danificar o inseto;
  • Proteger a mão com luva ou saco plástico;
  • Os insetos deverão ser acondicionados em recipientes plásticos, com tampa de rosca para evitar a fuga, preferencialmente vivos;
  • Amostras coletadas em diferentes ambientes (quarto, sala, cozinha, anexo ou silvestre) deverão ser acondicionadas separadamente.
  • Caso alguém ache algum inseto suspeito de ser ‘barbeiros’, devem entregar no setor de endemias ou para o serviço de saúde mais próximo do município.

 

PREVENÇÃO DA TRANSMISSÃO ORAL

Em relação à transmissão oral, as principais medidas de prevenção são:

  • Intensificar ações de vigilância sanitária e inspeção, em todas as etapas da cadeia de produção de alimentos suscetíveis à contaminação, com especial atenção ao local de manipulação de alimentos.
  • Instalar a fonte de iluminação distante dos equipamentos de processamento do alimento para evitar a contaminação acidental por vetores atraídos pela luz.
  • Realizar ações de capacitação para manipuladores de alimentos e de profissionais de informação, educação e comunicação.

 

Coordenação Estadual do Programa de Vigilância e Controle de Doenças de Chagas e Filarioses.

Agência Estadual de Vigilância em Saúde -AGEVISA-RO

Palácio Rio Madeira Complexo Rio Jamari/Curvo 3 – 2 º Andar

AV: Farquar nº 2986 Bairro Pedrinhas CEP: 76.801-470

Porto Velho/RO- Brasil

Fone:+55 69 3216-5294

E-mail: chagasagevisa@gmail.com


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