Governo de Rondônia
15/04/2026

Controle da Doença de Chagas

Governo do Estado de Rondônia

Doença de Chagas

A Doença de Chagas, também conhecida como Tripanossomíase Americana, é uma infecção causada pelo parasita Trypanosoma cruzi. Trata-se de um problema importante de saúde pública, especialmente em regiões onde há presença do inseto transmissor e condições que favorecem a transmissão.

No estado de Rondônia, as ações de vigilância e controle são realizadas de forma contínua, com foco na prevenção, identificação precoce dos casos e acompanhamento das pessoas afetadas. O trabalho é desenvolvido de forma integrada entre o Estado e os municípios, buscando proteger a população e reduzir os riscos da doença.

 

O que é a Doença de Chagas

A Doença de Chagas é causada por um parasita que pode ser transmitido principalmente por um inseto conhecido popularmente como barbeiro.

Quando esse inseto pica a pele, ele pode liberar fezes contaminadas próximas ao local. Se essas fezes entrarem em contato com a pele machucada, olhos ou boca, a pessoa pode se infectar.

 

Sinais e Sintomas

A Doença de Chagas pode se manifestar de formas diferentes ao longo do tempo. Em muitos casos, os sintomas podem ser leves ou até passar despercebidos, o que dificulta o diagnóstico.

Os sintomas costumam aparecer alguns dias após a infecção e podem incluir:

  • Febre que dura vários dias, sem causa aparente;
  • Cansaço excessivo e fraqueza, mesmo sem esforço;
  • Dor de cabeça e mal-estar geral;
  • Inchaço no local da picada ou no rosto, especialmente próximo aos olhos;
  • Perda de apetite e sensação de indisposição.

Em algumas pessoas, principalmente crianças, os sintomas podem ser mais intensos. Porém, também é comum não apresentar sinais claros.

Após meses ou anos, algumas pessoas podem desenvolver complicações mais sérias:

  • Problemas no coração, como batimentos irregulares, cansaço ao fazer esforço e falta de ar;
  • Inchaço nas pernas, devido à dificuldade do coração em bombear o sangue;
  • Dificuldade para engolir, sensação de alimento parado na garganta;
  • Constipação intestinal persistente (intestino preso por longos períodos);

Esses sintomas aparecem lentamente e podem piorar com o tempo se não houver acompanhamento médico.

 

PANORAMA EPIDEMIOLÓGICO (2021-2025)

Entre os anos de 2021 e 2025, foram registrados 618 casos suspeitos de Doença de Chagas Aguda (DCA) no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), dos quais 06 casos foram confirmados após investigação epidemiológica.

Gráfico: 01

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: SINAN-NDTV-AGEVISA/RO. Dados sujeito a atualização-abril/2026.

 

Pontos de Atenção

Baixa Taxa de Confirmação: O gráfico evidencia que a grande maioria das suspeitas (99%) é descartada, o que pode indicar uma vigilância sensível ou a ocorrência de outros agravos com sintomas similares.

Importância da Investigação: A discrepância entre casos suspeitos e confirmados reforça a necessidade do encerramento oportuno das fichas no SINAN para evitar dados inconclusivos.

 

Doença de Chagas Crônica (DCC)

Conforme o registro no sistema e-SUS Notifica, o cenário da forma crônica entre 2023 e 2025 apresenta um volume diferente das notificações agudas do SINAN.

 

Observações:

  •  Prevalência da Forma Crônica: O número de registros da forma crônica (54) é nove vezes maior que o de casos agudos confirmados (6), o que reflete a característica silenciosa e prolongada da doença.
  • Sistemas Diferentes: É importante notar que a Doença de Chagas Crônica (DCC) passou a ser de notificação compulsória apenas recentemente (Portaria nº 264/2020), o que explica o uso do e-SUS Notifica para captar essa demanda da atenção primária.

 

INDICADORES DE INFECÇÃO NATURAL – CICLO 2025

 

 

 

 

 

  • Amostragem total (N): 220 espécimes de triatomíneos examinados.
  • Positividade para Trypanosoma cruzi: 26,82% (n=59).
  • Agente etiológico: Trypanosoma cruzi (confirmado via análise laboratorial).

 

Distribuição Geográfica da Positividade

A circulação do protozoário foi identificada em 11 unidades municipais, demonstrando a capilaridade do vetor infectado na região:

  • Região Metropolitana/Norte: Porto Velho, Candeias do Jamari, Cujubim.
  • Eixo Central/BR-364: Jaru, Cacaulândia, Machadinho d’Oeste.
  • Região Sul/Sudeste: Cacoal, Pimenta Bueno, Primavera de Rondônia, São Felipe d’Oeste.
  • Região de Fronteira: Guajará-Mirim.

Quadro de Circulação de Protozoário por Região (Rondônia)

Região Unidades Municipais (Municípios)
Metropolitana / Norte Porto Velho, Candeias do Jamari, Cujubim
Eixo Central / BR-364 Jaru, Cacaulândia, Machadinho d’Oeste
Sul / Sudeste Cacoal, Pimenta Bueno, Primavera de Rondônia, São Felipe d’Oeste
Fronteira Guajará-Mirim

Fonte: LACEN /RO -2026.

 

CONCLUSÃO TÉCNICA

Os dados obtidos ratificam a manutenção do ciclo de transmissão silvestre do T. cruzi no ecossistema regional. O índice de infecção natural superior a 25% sinaliza um risco epidemiológico relevante, demandando a continuidade das ações de monitoramento e o fortalecimento da vigilância passiva junto às comunidades locais.

 

MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE

 O que fazer ao encontrar um “Barbeiro”?

 

  1. Não esmague o inseto;
  2. Use luvas ou saco plástico para capturá-lo;
  3. Coloque o inseto vivo em um recipiente plástico com tampa;
  4. Entregue no Posto de Informação de Triatomíneos (PIT) ou unidade de saúde mais próxima.

 

VIGILÂNCIA E NOTIFICAÇÃO

A Vigilância do Programa de Doença de Chagas em Rondônia é coordenada pela Agência Estadual de Vigilância em Saúde de Rondônia (AGEVISA-RO), responsável por acompanhar a situação da doença no estado.

A AGEVISA realiza o monitoramento dos casos registrados, analisa os dados e orienta as ações de prevenção e controle. Esse trabalho permite identificar as áreas de risco, agir rapidamente diante de suspeitas e apoiar os municípios nos casos.

Além disso, promove capacitações, define orientações técnicas e integra as ações entre vigilância e assistência garantindo uma resposta mais eficaz.

Informações de Contato:
Coordenação Estadual de Chagas – AGEVISA-RO
Av. Farquar, nº 2986, Bairro Pedrinhas – Porto Velho/RO
E-mail: chagasagevisa@gmail.com

 

Os documentos oficiais para notificação já estão disponíveis no site do MS:

Situação Epidemiológica nacional (link) https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/doenca-de-chagas/situacao-epidemiologica

Publicações sobre Doença de Chagas (link) https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/publicacoes-svs/doenca-de-chagas

 


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